Como escolhemos os parceiros é
uma questão de grande interesse pessoal e que ocupa a maior parte dos nossos
pensamentos diários. Se somos solteiros, passamos horas a pensar na pessoa com
quem iremos viver ou casar. Mas o que torna determinado homem ou mulher
atraente aos nossos olhos?
A preferência pessoal pelo
parceiro é um fenómeno do mundo ocidente moderno. Não é comum em grande parte
do mundo, onde o casamento tem uma função mais legal do que pessoal e onde o
contrato nupcial é uma espécie de cimento que mantém unidas propriedades rurais
e empresas de família. A maior parte dos casamentos e uniões do mundo ainda são
combinadas pelos pais ou pelos anciãos da aldeia.
Na maior parte da sociedade
ocidental podemos escolher os parceiros com base na nossa preferência sexual,
em vez de termos quem decida por nós. Mas até que ponto fazemos uma escolha
consciente?
CAMINHOS CRUZADOS
Em todo o mundo, os futuros
parceiros nasceram a pouco mais de dez quilómetros um do outro. Como as pessoas
têm tendência para viver em grupos raciais ou culturais – mesmo em cidades como
Nova Iorque e Londres onde chineses e paquistaneses vivem em bairros separados
– é mais provável que conheçam e casem entre si do que fora do grupo.
Embora na sociedade ocidental
muita gente tenha uma maior escolha de parceiro devido à maior mobilidade, as
relações mais duradouras têm tendência para ser com aqueles cujos antecedentes
têm bastantes semelhanças com os nossos.
O mais provável é que viva ou
casemos com alguém do nosso grupo social, económico e religioso, com um nível
de inteligência equivalente e com muitos traços de personalidade ou físicos
semelhantes aos nossos.
Os sistemas de classes variam de
cultura para cultura, mas as pessoas tendem a envolver-se com alguém que
consideram ser da sua classe ou casta. Ligações para além dessas barreiras
invisíveis são geralmente mal-encaradas por um ou pelos dois lados e o parceiro
intruso é muitas vezes considerado um outsider,
que ignora os hábitos e a linguagem do outro.
O mesmo acontece com muita gente
cuja comunidade religiosa actua do mesmo modo que uma classe social. Por
exemplo, é vital que um muçulmano case dentro da sua religião.
ESCOLA DE AMANTES
A maior parte das pessoas
considera bastante importante a semelhança do nível de inteligência. Podemos
falar com mais facilidade e eficácia com um potencial amante que fala a «mesma
língua» e que tem as mesmas opiniões de vista. Também o tipo de personalidade
desempenha um papel importante na escolha da pessoa por quem nos apaixonamos e
aquela é moldada especialmente pela nossa estrutura familiar e anteriores
experiências emocionais e de aprendizagem.
A «química» entre duas pessoas
deve-se muitas vezes ao reconhecimento inconsciente de certas características
de personalidade que partilhamos. Desde a nossa roupa às expressões faciais,
estamos constantemente a fornecer inconscientemente informações pessoais
pormenorizadas.
Foi efectuado um estudo em que
100 homens foram postos na mesma sala com 100 mulheres e a quem foi pedido que
escolhessem as pessoas que achavam mais atraentes sem falarem com elas.
Os resultados finais mostraram
que quase todos os participantes no estudo escolheram alguém que pertencia a
uma família com o mesmo tipo de funcionamento que a sua que a família devia
exprimir zanga ou onde os pais discutiam constantemente ou ainda onde se
esperava sempre que as pessoas mostrassem uma cara alegre e feliz.
Em todo o mundo as pessoas tendem
a escolher um cônjuge com o mesmo tipo de antecedentes.
A semelhança de cultura, os
interesses comuns, o nível de inteligência e o sistema de religião ou de
crenças tem tendência a promover um casamento bem-sucedido e duradouro.
As pessoas também se sentem
bastante à vontade com os que têm a mesma ordem de parentesco na família –
assim, os filhos mais velhos atraem-se uns aos outros.
PREFERÊNCIA SEXUAL.
Alguém que você considera
irresistivelmente atraente pode nem sequer atrair o olhar dos seus amigos.
Porquê?
Descobriu-se que a preferência
sexual nos humanos se instala antes dos seis anos.
Quando buscamos o homem Certo e a
mulher Certa, procuramos alguém que corresponda à nossa «imagem ideal» - uma
montagem das características física dos membros da família e amigos de
infância.
Por isso o homem ou mulher que
agora achamos atraentes recorda-nos inconscientemente alguém que admirámos em
criança.
Estudos, envolvendo muitos casais
ligados por características físicas, revelaram que além das semelhanças de
altura, constituição, cabelo e cor de olhos, os casais eram semelhantes até em
pormenores como o lóbulo da orelha e a capacidade pulmonar.
Quanto mais um casal se parece,
mais probabilidades tem de manter o casamento.
Nem sempre é este o caso quando
alguém prefere um parceiro com um aspecto totalmente diferente – um gosto pelo
«exótico» que simboliza a excitação sexual causada pelo desconhecido. Mas é
possível que essa pessoa se pareça com alguém que nos impressionou fortemente
na infância.
A máxima «os opostos atraem-se» é
verdadeira até certo ponto – mas os casais que têm pouco ou nada em comum podem
ter um relacionamento tempestuoso.
UMA ROSA É UMA ROSA.
Estamos também inconscientemente
condicionados para encontrarmos certas características físicas desejáveis. As
modas de beleza mudam drasticamente com as gerações e diferentes culturas – o
que é considerado belo varia imenso segundo o que está em moda na época.
Em muitas culturas aborígenes,
onde a obtenção de comida é imprevisível, a mulher ideal tem uma silhueta bem
rotunda, cuja fertilidade é óbvia, tal como a imagem da deusa dos Indianos e
das tribos Maori.
O oposto é verdadeiro no Ocidente
onde a comida abunda e, a figura ideal de mulher se torna cada vez mais magra –
a ponto de algumas mulheres sofrerem de distúrbios da alimentação como a
anorexia e a bulimia na tentativa de imitar figuras mediáticas magras ou
modelos, as «deusa» da cultura actual.
PRIMEIRO OS MAIS VELHOS…
Hoje no Reino Unido quase 80% das
pessoas são casadas ou vivem com alguém que tem cerca de cinco anos de
diferença de si. Esta tendência é fortemente influenciada pela média – revistas de moda, televisão e jornais
– e é, em grande parte, o resultado da explosão demográfica do pós-guerra que
criou uma geração invulgarmente grande. As relações entre pessoas deste grupo
tornaram-se norma por serem tantas da mesma idade.
É notícia o facto de uma pessoa
se ligar a um parceiro 20 ou 30 anos mais velho, embora isso fosse um
acontecimento comum no passado e não seja digno de nota noutras culturas.
A união da mulher mais velha com
o homem mais novo tem tido muita publicidade nos últimos anos. Sexualmente,
trata-se de um excelente par porque a mulher está no seu auge físico aos trinta
anos e o homem próximo dos vinte. Porém, pode existir um fosso no
desenvolvimento emocional, dependendo das personalidades em causa.
Seja qual for e escolha do nosso
par, é importante lembrar que os dois parceiros precisam de continuar a
ajustar-se constantemente às circunstâncias que a vida oferece, de forma a
manterem a sua relação viva e saudável.
Geralmente a relação feliz e bem-sucedida
é aquela em que somos semelhantes, mas não idênticos, ao nosso parceiro, de
muitas formas significativas e em que damos permanentemente um ao outro espaço
para mudar e crescer.
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