quarta-feira, 19 de junho de 2013

Como escolhemos os parceiros é uma questão de grande interesse pessoal e que ocupa a maior parte dos nossos pensamentos diários. Se somos solteiros, passamos horas a pensar na pessoa com quem iremos viver ou casar. Mas o que torna determinado homem ou mulher atraente aos nossos olhos?
A preferência pessoal pelo parceiro é um fenómeno do mundo ocidente moderno. Não é comum em grande parte do mundo, onde o casamento tem uma função mais legal do que pessoal e onde o contrato nupcial é uma espécie de cimento que mantém unidas propriedades rurais e empresas de família. A maior parte dos casamentos e uniões do mundo ainda são combinadas pelos pais ou pelos anciãos da aldeia.
Na maior parte da sociedade ocidental podemos escolher os parceiros com base na nossa preferência sexual, em vez de termos quem decida por nós. Mas até que ponto fazemos uma escolha consciente?
CAMINHOS CRUZADOS
Em todo o mundo, os futuros parceiros nasceram a pouco mais de dez quilómetros um do outro. Como as pessoas têm tendência para viver em grupos raciais ou culturais – mesmo em cidades como Nova Iorque e Londres onde chineses e paquistaneses vivem em bairros separados – é mais provável que conheçam e casem entre si do que fora do grupo.
Embora na sociedade ocidental muita gente tenha uma maior escolha de parceiro devido à maior mobilidade, as relações mais duradouras têm tendência para ser com aqueles cujos antecedentes têm bastantes semelhanças com os nossos.
O mais provável é que viva ou casemos com alguém do nosso grupo social, económico e religioso, com um nível de inteligência equivalente e com muitos traços de personalidade ou físicos semelhantes aos nossos.
Os sistemas de classes variam de cultura para cultura, mas as pessoas tendem a envolver-se com alguém que consideram ser da sua classe ou casta. Ligações para além dessas barreiras invisíveis são geralmente mal-encaradas por um ou pelos dois lados e o parceiro intruso é muitas vezes considerado um outsider, que ignora os hábitos e a linguagem do outro.
O mesmo acontece com muita gente cuja comunidade religiosa actua do mesmo modo que uma classe social. Por exemplo, é vital que um muçulmano case dentro da sua religião.
ESCOLA DE AMANTES
A maior parte das pessoas considera bastante importante a semelhança do nível de inteligência. Podemos falar com mais facilidade e eficácia com um potencial amante que fala a «mesma língua» e que tem as mesmas opiniões de vista. Também o tipo de personalidade desempenha um papel importante na escolha da pessoa por quem nos apaixonamos e aquela é moldada especialmente pela nossa estrutura familiar e anteriores experiências emocionais e de aprendizagem.
A «química» entre duas pessoas deve-se muitas vezes ao reconhecimento inconsciente de certas características de personalidade que partilhamos. Desde a nossa roupa às expressões faciais, estamos constantemente a fornecer inconscientemente informações pessoais pormenorizadas.
Foi efectuado um estudo em que 100 homens foram postos na mesma sala com 100 mulheres e a quem foi pedido que escolhessem as pessoas que achavam mais atraentes sem falarem com elas.
Os resultados finais mostraram que quase todos os participantes no estudo escolheram alguém que pertencia a uma família com o mesmo tipo de funcionamento que a sua que a família devia exprimir zanga ou onde os pais discutiam constantemente ou ainda onde se esperava sempre que as pessoas mostrassem uma cara alegre e feliz.
Em todo o mundo as pessoas tendem a escolher um cônjuge com o mesmo tipo de antecedentes.
A semelhança de cultura, os interesses comuns, o nível de inteligência e o sistema de religião ou de crenças tem tendência a promover um casamento bem-sucedido e duradouro.
As pessoas também se sentem bastante à vontade com os que têm a mesma ordem de parentesco na família – assim, os filhos mais velhos atraem-se uns aos outros.
PREFERÊNCIA SEXUAL.
Alguém que você considera irresistivelmente atraente pode nem sequer atrair o olhar dos seus amigos. Porquê?
Descobriu-se que a preferência sexual nos humanos se instala antes dos seis anos.
Quando buscamos o homem Certo e a mulher Certa, procuramos alguém que corresponda à nossa «imagem ideal» - uma montagem das características física dos membros da família e amigos de infância.
Por isso o homem ou mulher que agora achamos atraentes recorda-nos inconscientemente alguém que admirámos em criança.
Estudos, envolvendo muitos casais ligados por características físicas, revelaram que além das semelhanças de altura, constituição, cabelo e cor de olhos, os casais eram semelhantes até em pormenores como o lóbulo da orelha e a capacidade pulmonar.
Quanto mais um casal se parece, mais probabilidades tem de manter o casamento.
Nem sempre é este o caso quando alguém prefere um parceiro com um aspecto totalmente diferente – um gosto pelo «exótico» que simboliza a excitação sexual causada pelo desconhecido. Mas é possível que essa pessoa se pareça com alguém que nos impressionou fortemente na infância.
A máxima «os opostos atraem-se» é verdadeira até certo ponto – mas os casais que têm pouco ou nada em comum podem ter um relacionamento tempestuoso.
UMA ROSA É UMA ROSA.
Estamos também inconscientemente condicionados para encontrarmos certas características físicas desejáveis. As modas de beleza mudam drasticamente com as gerações e diferentes culturas – o que é considerado belo varia imenso segundo o que está em moda na época.
Em muitas culturas aborígenes, onde a obtenção de comida é imprevisível, a mulher ideal tem uma silhueta bem rotunda, cuja fertilidade é óbvia, tal como a imagem da deusa dos Indianos e das tribos Maori.
O oposto é verdadeiro no Ocidente onde a comida abunda e, a figura ideal de mulher se torna cada vez mais magra – a ponto de algumas mulheres sofrerem de distúrbios da alimentação como a anorexia e a bulimia na tentativa de imitar figuras mediáticas magras ou modelos, as «deusa» da cultura actual.
PRIMEIRO OS MAIS VELHOS…
Hoje no Reino Unido quase 80% das pessoas são casadas ou vivem com alguém que tem cerca de cinco anos de diferença de si. Esta tendência é fortemente influenciada pela médiarevistas de moda, televisão e jornais – e é, em grande parte, o resultado da explosão demográfica do pós-guerra que criou uma geração invulgarmente grande. As relações entre pessoas deste grupo tornaram-se norma por serem tantas da mesma idade.
É notícia o facto de uma pessoa se ligar a um parceiro 20 ou 30 anos mais velho, embora isso fosse um acontecimento comum no passado e não seja digno de nota noutras culturas.
A união da mulher mais velha com o homem mais novo tem tido muita publicidade nos últimos anos. Sexualmente, trata-se de um excelente par porque a mulher está no seu auge físico aos trinta anos e o homem próximo dos vinte. Porém, pode existir um fosso no desenvolvimento emocional, dependendo das personalidades em causa.
Seja qual for e escolha do nosso par, é importante lembrar que os dois parceiros precisam de continuar a ajustar-se constantemente às circunstâncias que a vida oferece, de forma a manterem a sua relação viva e saudável.

Geralmente a relação feliz e bem-sucedida é aquela em que somos semelhantes, mas não idênticos, ao nosso parceiro, de muitas formas significativas e em que damos permanentemente um ao outro espaço para mudar e crescer. 

Sem comentários:

Enviar um comentário